O que são Psicoses

A Esquizofrenia é a principal psicose.
| Perguntas comuns |


Psicoses
Psicoses
são distúrbios psiquiátricos graves onde o paciente perde contato com a realidade, emite juízos falsos (delírios), podendo também apresentar alucinações (ter percepções irreais quanto a audição, visão, tato), distúrbios de conduta levando à impossibilidade de convívio social, além de outras formas bizarras de comportamento.

O termo Psicose (e sintomas psicóticos) é empregado para se referir à perda do juízo da realidade e um comprometimento do funcionamento mental, social e pessoal, normalmente levando a um prejuízo no desempenho das tarefas e papéis habituais.

As Psicoses podem ter várias origens: por lesões cerebrais, tumores cerebrais, esquizofrenia, tóxicos, álcool, infecções, traumas emocionais etc. Algumas Psicose são incuráveis, outras apresentam cura completa. Quase sempre requer tratamento à base de psicotrópicos. Nem sempre é necessária a internação. Nas Psicoses agudas, as psicoterapias são pouco indicadas.

No DSM-IV, os Transtornos Psicóticos incluem os transtornos invasivos do desenvolvimento, esquizofrenia, transtorno esquizofreniforme, transtorno esquizoafetivo, transtorno delirante, transtorno psicótico breve, transtorno psicótico compartilhado, transtorno psicótico devido a uma condição médica geral, transtorno psicótico induzido por substância e transtorno psicótico sem outra especificação.

Na CID.10 os Transtornos Psicóticos são classificados como (F20-F29) Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes. Este agrupamento reúne a esquizofrenia, a categoria mais importante deste grupo de transtornos, o transtorno esquizotípico e os transtornos delirantes persistentes e um grupo maior de transtornos psicóticos agudos e transitórios. Os transtornos esquizoafetivos foram mantidos nesta seção, ainda que sua natureza permaneça controversa.

O que é Esquizofrenia?
O termo "esquizofrenia" foi criado em 1911 pelo psiquiatra suíço Eugem Bleuler com o significado de mente dividida. Ao propor esse termo, Bleuler quis ressaltar a dissociação que às vezes o paciente percebia entre si mesmo e a pessoa que ocupa seu corpo. Hoje é o nome universalmente aceito para este transtorno mental psicótico, entretanto, no meio técnico e profissional se admite que o termo pode ser insuficiente para descrever a complexidade dessa condição patológica.

A Esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereotipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.

Segundo Kaplan, aproximadamente 1% da população é acometida pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada sócio-cultural. O diagnóstico se baseia exclusivamente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes dos 10 ou depois dos 50 anos de idade e parece não haver nenhuma diferença na prevalência entre homens e mulheres.

Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam, em geral, por distorções características do pensamento, da percepção e por inadequação dos afetos. Usualmente o paciente com esquizofrenia mantém clara sua consciência e sua capacidade inteleitual.

A Esquizofrenia traz ao paciente um prejuízo tão severo que é capaz de interferir amplamente na capacidade de atender às exigências da vida e da realidade.

O que não é Esquizofrenia?
Há alguns mitos sobre a esquizofrenia bastante enraizados na opinião popular. Boa parte desses mitos se originou na mídia, através de filmes e romances sobre “loucos” e psicóticos que, além da qualidade literária e artística, não guardam, obrigatoriamente, uma coerente relação com a verdade científica.

A Esquizofrenia não é a dupla pessoalidade. Apesar do termo esquizofrenia cunhado por Bleuler em 1911 significar mente partida, hoje sabemos que a síndrome de esquizofrenia é muito mais ampla que isso e não tem por que incluir nela os Transtornos de Personalidade Múltipla.

A Esquizofrenia não é uma violência sem sentido. O mito da violência psicótica provavelmente se deve, em boa parte, à midia, como o grande diretor Alfred Hitchcock e afins, cujo trabalho consiste em dirigir e vender filmes de agrado popular mas não, necessariamente, com bases científicas e reais. Também é possível que este mito se deva ao tratamento da Esquizofrenia com medicamentos sedativos. Mas, na maioria das vezes, a sonolência é um efeito secundário da medicação antipsicótica mais do que uma imperiosa necessidade de “dopar” o paciente.

A porcentagem de pacientes psicóticos esquizofrênicos que pode ser violenta é, felizmente, pequena. A agressividade dos psicóticos costuma ocorrer em proporção igual a que acontece com a população em geral. Aliás, podemos dizer, de maneira geral, que quem mais agride é a sociedade ao “louco” do que o contrário; é a sociedade das pessoas normais quem prende, agride, amarra, interna sem consentimento, seda, dopa, exclui e estigmatiza.

A Esquizofrenia não acomete pessoas pouco inteligentes, como pode se acreditar erroneamente. A Esquizofrenia afeta tanto as pessoas com alto quanto baixo nível inteleitual, atinge igualmente os ricos e pobres, os mais cultos e os mais simplórios. Não é monopólio de quem tem a mente fraca e nem depende da pessoa ser “esclarecida e inteligente”.

Tipos de Esquizofrenia?
A esquizofrenia paranóide

Este tipo de Esquizofrenia é o mais comum e também o que responde melhor ao tratamento. Diz-se, por causa disso, que tem prognóstico melhor. O paciente que sofre esta condição pode pensar que o mundo inteiro o persegue, que as pessoas falam mal dele, têm inveja, ridicularizam-no, pensam mal dele, elas têm intenções de fazer-lhe mal, de prejudicá-lo, de matá-lo, etc. Trata-se dos delírios de perseguição.

Não é raro que este tipo de paciente tenha também delírios de grandeza, idéias além de suas possibilidades: "Eu sou o melhor cantor do mundo. Nada me supera. Nem Frank Sinatra é melhor". Esses pensamentos podem vir acompanhados de alucinações, aparição de pessoas mortas, diabos, deuses, alienígenas e outros elementos sobrenaturais. Algumas vezes esses pacientes chegam a ter idéias religiosas e/o políticas, proclamando-se salvadores da terra ou da raça humana.

A esquizofrenia hebefrênica ou desorganizada

Neste grupo se incluem os pacientes que têm problemas de concentração, pouca coerência de pensamento, pobreza do raciocínio, discurso infantil. Às vezes, fazem comentários fora do contexto e se desviam totalmente do tema da conversação. Expressam uma falta de emoção ou emoções pouco apropriadas, rindo-se a gargalhadas em ocasiões solenes, rompendo a chorar por nenhuma razão em particular, etc.

Neste grupo também é freqüente a aparição de delírios (crenças falsas), por exemplo que o vento move na direção que eles querem, que se comunicam com outras pessoas por telepatia, etc.

A esquizofrenia catatônica

É o tipo menos freqüente de esquizofrenia. Apresenta como característica transtornos psicomotores, tornando difícil ou impossível ao paciente mover-se. Talvez passe horas sentado na mesma posição. A falta da fala também é freqüente neste grupo, assim como alguma atividade física sem propósito.

A esquizofrenia residual

Este termo é usado para se referir a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas seqüelas. O prejuízo que existe na personalidade desses pacientes já não depende mais dos surtos agudos. Na Esquizofrenia assim cronificada podem predominar sintomas como o isolamento social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos.

A esquizofrenia simples
Também é pouco freqüente. Aparece lentamente, normalmente começa na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas, pode ser seguida de um paulatino isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família e mudança de caráter, passando de sociável a anti-social e terminando em depressão. Nesta forma da esquizofrenia não se observam muitos surtos agudos.

Apesar desta classificação, é bom destacar que os pacientes esquizofrênicos nem sempre se encaixam perfeitamente numa de estas categorias. Também existem pacientes que não se podem classificar em nenhum de os grupos mencionados. A estes pacientes se pode dar o diagnóstico de Esquizofrenia Indiferenciada.

A Esquizofrenia tem cura?
Até bem pouco tempo se pensava que a esquizofrenia era sempre incurável e que se convertia, obrigatoriamente, numa doença crônica e por vida. Hoje em dia, entretanto, sabemos que este não é necessariamente o caso e uma porcentagem de pessoas que sofrem deste transtorno pode recuperar-se por completo e lavar uma vida normal como qualquer outra pessoa.

Outras pessoas, com quadros mais graves, apesar de dependerem de medicação, chegam a melhorar até o ponto de poderem desempenhar o trabalho, casar-se e ter família. Embora não se possa falar em cura, tal como se conceitua a cura total na medicina, a reabilitação psicossocial da expressiva maioria desses pacientes tem sido bastante evidente.

Apesar da Esquizofrenia tender à deixar mais seqüelas a cada novo surto, o importante é saber que estas pessoas podem chegar a ter funções na sociedade e podem chegar a ser muito produtivas, mais ou menos sócio-cupacionalmente normais e dentro de suas possibilidades.

A família pode causar a esquizofrenia?
Não, não e não! Esta é a resposta mais simples. Apesar das infinitas investigações, a origem da Esquizofrenia ainda não está clara. O que está claro, entretanto, é que não é causada por um trauma infantil, nem por um mau comportamento por parte dos pais.

Nos anos 60 e 70 muitas investigações se realizaram no campo da terapia familiar, sobre o comportamento de as famílias e transtornos mentais. Encontraram vários patrões de conduta comuns a famílias com problemas de saúde mental, o qual conduz a alguns profissionais a concluir, erroneamente, que a família poderia ser culpada pelos transtornos mentais de seus filhos. Nada mais falso.

Os sintomas da Esquizofrenia resultam de desequilíbrios de substâncias neuroquímicas no cérebro, tias como a dopamina, serotonina, e noradrenalina. As últimas investigações indicam que estes desequilíbrios podem estar presentes no cérebro, inclusive antes do nascimento da pessoa.

Entretanto, o comportamento da família influi fortemente na reabilitação do individuo com esquizofrenia. Os estudos demonstram que a intervenção da família é de grande importância na prevenção das recaídas.

A esquizofrenia é herdada?
Em primeiro lugar convém fazer uma distinção entre o que é genético e o que é hereditário:
1) Se uma doença é genética, isso quer dizer que antes de nascer uma pessoa pode ter um gene ou uma programação que a conduza em direção à doença, mas em forma de probabilidade e não de certeza.

Cada um de nós carrega genes de diferentes doenças mas não as desenvolvemos obrigatoriamente. Um exemplo claro disso é o câncer de pulmão, identificado em genes de pessoas sadias não fumantes. Uma pessoa que tenha este gene teria uma predisposição genética a desenvolver a doença, mas isso não quer dizer que esta pessoa vá desenvolvê-la obrigatoriamente. De fato, se não fumar, levar uma vida não estressante, enfim, se não cumprir os requisitos necessários ao desenvolvimento da doença não terá câncer de pulmão.

2) Uma doença hereditária é uma doença genética que se transmitirá, com certeza, de uma geração a outra e, além disso, terá uma porcentagem fixa e calculada de novos casos da doença na geração seguinte.

Um exemplo de uma doença hereditária é a Coréia de Huntington. Esta doença crônica supõe um degeneração corporal e mental que se passa de uma geração a outra, desenvolvendo-se em 50% dos filhos. Quer dizer que um paciente de Huntingtom que decide ter um filho sabe, de antemão, que a cada dois filhos que nascerem, no mínimo um desenvolverá a enfermidade.

Até o momento têm sido inconclusivos os estudos que afirmam, indubitavelmente, se a esquizofrenia é genética ou hereditária, embora já se tenha certeza absoluta de que a probabilidade de filhos esquizofrênicos é maior se um dos pais for esquizofrênico e, muito maior, se ambos forem.
Na população geral a esquizofrenia aparece numa de cada cem pessoas (fator de risco de 1%).

- Se tiver um avô com a esquizofrenia o fator risco sobe para 3%
- Se um dos pais ou um irmão sofre de esquizofrenia o risco é de 10-20%
- Se ambos pais sofrem de esquizofrenia o risco é de 40-50%

Quais são os efeitos secundários da medicação?
Todos os medicamentos produzem efeitos secundários e a medicação prescrita em casos de esquizofrenia não é uma exceção. A medicação que se prescreve aos pacientes com esquizofrenia se chama antipsicótico (antes chamados neuroléptico). Os efeitos secundários nem sempre são evidentes e são de menor gravidade que os próprios sintomas da esquizofrenia. Muitos pacientes cometem o erro de deixar de tomar a medicação quando aparecem estes efeitos ou quando algum conhecido “alerta” para os perigos de tais medicamentos.

Na realidade o que tem que ser feito é informar-se com o psiquiatra sobre as dúvidas e sobre o que está sentindo. É muito importante saber diferenciar entre os efeitos secundários da medicação e os próprios sintomas da esquizofrenia.

Efeitos Colaterais mais comuns:
Sonolência
A sonolência é um aumento no sono do paciente. Talvez seja difícil levantar-se da cama de manhã, dorme mais que o normal, tem vontade de dormir durante o dia, etc. Por outro lado não são raros os comentários como "Estou dopado", "Sinto-me como um zumbi", ou outros, também de teor culturalmente pejorativo.

Efeitos extrapiramidais ou parkinsonismo
Esses sintomas são assim chamados pela semelhança com os sintomas da Doença de Parkinson. O paciente que manifesta estes efeitos não sofre de Doença de Parkinsom, simplesmente a dose da medicação deve de ser melhor ajustada. Esses efeitos se podem corrigir com medicamentos anti-parkinsonianos, tipo akineton®, artane®.

Os efeitos parkinsonianos se manifestam na forma de movimentos ou posturas involuntárias: o tremor das mãos, flexões ou fixações dos músculos. Assim sendo, não é raro que o paciente usando antipsicóticos tenha a boca ou os músculos da face numa postura entranha, talvez a boca permaneça aberta ou semi-aberta. Também é possível que a língua se força para um lado, dificultando a fala ou fazendo com que a saliva escorra da boca.

Efeitos anticolinérgicos

Esses efeitos secundários se referem a visão borrada, secura da boca, retenção urinária, hipotensão arterial.

Dificuldades sexuais
Poucas vezes se encontram citadas como efeitos secundários dessa medicação. Também pode ser provável que os sintomas sexuais se devam a sintomas da depressão que a vezes acompanha a esquizofrenia.

Acatisia
Consiste numa inquietação constante. O paciente é incapaz de sentar-se no mesmo lugar durante muito tempo. Ele se levanta e muda de assento várias vezes em poucos minutos ou se ajusta muitas vezes no sofá. Este é um efeito secundário bastante desconfortável porque os que estão próximos podem pensar erroneamente que o paciente está nervoso.

A acatisia é um efeito secundário que pode chegar a ser muito molesto para o paciente e tem solução fácil; com pequenas modificações do tratamento. Alguns benefícios do tratamento medicamentoso:

Elimina vozes, visões e o falar consigo mesmo
Elimina as crenças entranhas e falsas (delírios).
Diminui a tensão e agitação.
Ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor.
Reduz os medos, a confusão e a insônia.
Ajuda a falar de forma coerente.
Ajuda a sentir-se mais feliz, mais expansivo e mais sadio.
Ajuda a se comportar de forma mais apropriada.
Os pensamentos hostis, estanhos ou agressivos desaparecem.
Diminuem muito as recidivas e a necessidade de internação hospitalar

Veja mais 11 dúvidas de Esquizofrenia

1. O esquizofrênico é violento?
Em geral o esquizofrênico não é violento ou perigoso. Fora da crise é uma pessoa como qualquer outra. Alguns, quando em crise, se tornam agressivos, verbal ou fisicamente, pois os delírios ou as alucinações podem fazê-los sentir-se ameaçados.

Nesses momentos, é importante conversar com a pessoa sem provocá-la, mantendo um diálogo franco e tranqüilo. Na hipótese de ser necessário conter um ato agressivo, é preciso contar com mais pessoas para evitar que o paciente ou terceiros se machuquem. Episódios de agressividade, a depender da intensidade, são situações que indicam a necessidade de eventual internação para garantir a integridade do paciente ou terceiros.

2. Todos os esquizofrênicos são violentos quando em crise?
Não. Mesmo durante crises intensas, a maioria dos portadores de Esquizofrenia não manifesta agressividade importante. O comportamento agressivo depende, como indicado na resposta anterior, da natureza dos delírios e das alucinações que a pessoa apresenta.

3. O que fazer quando, ao obter melhora com a medicação, o portador de esquizofrenia abandona seu uso, diminui as dosagens necessárias e não quer mais saber de remédios? Como a família pode agir nesses casos, para evitar novo surto?
Deve-se tentar dialogar, expor as evidências de que a medicação evita a recaída. Infelizmente, muitas vezes são necessárias várias recaídas até que o doente se conscientize da gravidade da doença, de seu curso com recaídas e da necessidade do tratamento contínuo.

Nas recaídas pode ser necessário internar a pessoa até que ela volte à normalidade. Pela legislação em vigor, a família e o médico têm o direito de internar o portador quando em crise mesmo contra sua vontade. Por crise, entende-se que o portador está delirando, fora da realidade, inadequado, sem controle de si mesmo e de seus atos. Nesse momento, a internação é uma medida de proteção e tratamento. Cabe à família e ao médico, diante de uma situação de crise, avaliar a real necessidade de internação. Há recaídas que não exigem necessariamente internação, principalmente quando tratadas precocemente.

4. Em que situações a internação é necessária? Quanto tempo deve durar? Existem internações "para sempre"?
A internação é indicada nos momentos de crise ou de surto agudo, quando então o esquizofrênico não tem controle sobre si mesmo. Deve ser a mais curta possível e, com os atuais antipsicóticos, são suficientes um mês ou mês e meio dias para controlar as manifestações mais graves da doença.

Não se recomendam internações prolongadas ou "para sempre". Para os crônicos, são indicadas pensões e/ou oficinas protegidas que os capacitem a voltar viver independentemente.

5. A família deve manter total observação ou supervisão em relação ao paciente como, por exemplo, arrumando seu quarto, examinando seus objetos, acompanhando-o quando sai à rua?
A ajuda deve ser no sentido de promover a maior independência possível do paciente. Ele deve ser incentivado a cuidar de suas coisas e de sua higiene. Tão logo quanto possível ele deve voltar a caminhar pela cidade independentemente. Essas atitudes visam preservar a auto-estima do paciente, evitando constrangimentos.

6. Considerando-se a rotina familiar, o que pode ser solicitado ao portador de esquizofrenia em termos de colaboração, participação, coisas tais como, cuidar de seu quarto, lavar o quintal, lavar a louça, fazer compras, ir ao banco?
No início, ele deve ser acompanhado, até recuperar as habilidades perdidas. Aos poucos, deve ir assumindo responsabilidades como qualquer membro da família, de acordo com suas possibilidades.

7. Como orientar o portador de esquizofrenia em termos de administrar o dinheiro, valor das coisas, preços, trocos, economia?
A orientação pedagógica é imprescindível. O portador deve ser orientado para que possa compreender o valorizar o preço das coisas e administrar seu dinheiro.

8. O que deve a família fazer para garantir a tranqüilidade futura do portador de esquizofrenia no que se refere a sua segurança social: pensão, aposentadoria, habitação, assistência médica, medicamentos?
As alternativas de atuação familiar, nesses casos, são variadas e dependem da situação específica de cada família, não apenas no que se refere à variável sócio-econômica, mas também no acolhimento oferecido ao paciente pelos demais membros da família, quando há os casos em que apenas alguns membros da família assumem os cuidados necessários.

Em casos crônicos, nos quais o portador não tenha mais condições de trabalhar, é importante que a família propicie condições para a segurança social futura do paciente, providenciando sua aposentadoria e/ou auxílio benefício. Condições de moradia, assistência médica e de defesa de seus direitos devem ser igualmente propiciadas, pois, como qualquer outra pessoa, os portadores de Esquizofrenia têm direito à cidadania plena.

9. Um esquizofrênico pode dirigir veículos?
Dirigir veículos é uma questão de bom senso. Se ele estiver controlado, fora de crise e tomando regularmente a dose de manutenção, tem condições de dirigir veículos, desde que tenha consciência de que a medicação pode eventualmente reduzir a rapidez de seus reflexos. Convém ser acompanhado inicialmente por familiares que avaliam suas habilidades.

10. Quais são os sinais de recaída? O que a família pode fazer quando os perceber?
Os principais sinais e sintomas de recaída são as alterações de comportamento. Irritabilidade, insônia, comportamento agitado ou de isolamento social podem ser os sintomas de recaída, assim como alucinações e delírios.

Tão logo o familiar perceba ou suspeite de recaída, deve levar o paciente para uma avaliação médica, de modo que o psiquiatra possa intervir rapidamente, modificando a medicação ou a dose que o paciente recebe. Todo esforço deve ser feito para evitar uma nova recaída.

11. A dificuldade de contato social dos portadores de esquizofrenia dificulta que estabeleçam relações afetivas, tais como, namorar, encontrar companheiros(as), relacionar-se sexualmente? É possível ao familiar ajudá-los na busca desses objetivos?
Apesar da dificuldade em manter contato social, alguns portadores da doença conseguem encontrar um(a) companheiro(a), estabelecer relacionamentos afetivos significativos e manter relacionamentos sexuais. Os familiares devem orientá-los na busca de um relacionamento que não venha a ser estressante e que possa desencadear recaídas.

Tratando-se tais dificuldades, normalmente derivadas do isolamento social, a família pode ajudar incentivando a participação dos portadores nas mais diversas formas de atividades voltadas à ressocialização, tais como a freqüência a centros de convivência, lazer e cultura, grupos de auto-ajuda etc. Quanto ao relacionamento sexual, devem estar orientados sobre os cuidados para evitar doenças sexualmente transmissíveis (por exemplo, AIDS), principalmente o uso de camisinha. As mulheres devem ser acompanhadas também por ginecologista, que pode orientar quanto a métodos contraceptivos seguros, como remédios anticoncepcionais ou DIU.

para referir:
Ballone GJ - Perguntas mais freqüentes sobre Esquizofrenia - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005




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Os sintomas chamadosa psicóticos, também conhecidos como sintomas positivos da psicose são, principalmente, as Alucinações e os Delírios. Vejamos o que significam:

Delírio
Uma descrição demasiado fácil do delírio seria dizer: o delírio é uma convicção errônea não-corrigível. Mas, seria preciso lembrar que nem toda convicção errônea não-corrigível é um delírio.

Se essa convicção se relacionar com falta de cultura ou erudição, com a falta de conhecimentos ou de inteligência, então não será um delírio, seria mais uma ignorância. Tampouco será delírio aquelas representações errôneas que se originam de sentimentos compreensíveis.

Se o amante, por exemplo, está convicto da perfeição da amada imperfeita não se trata de idéias delirantes. As convicções filosóficas ou religiosas também não são delírios, mesmo que muitas pessoas as considerem errôneas, elas devem ser classificadas como idéias supervalorizadas.

Se desejarmos qualificar o delírio como um erro, é preciso que se trate de um erro não ambíguo, nem justificável, nem circunstancial e nem, muito menos, emocional. Deve tratar-se sim de um erro que está em oposição visível à realidade objetiva dos fatos. No Delírio ocorre alteração do conteúdo do pensamento, mas não da memória e nem da atenção.

Jaspers define o Delírio com sendo um juízo patologicamente falseado e que deve, obrigatoriamente, apresentar três características:

1. Uma convicção subjetivamente irremovível e uma crença absolutamente inabalável com impossibilidade de sujeitar-se às influências de correções quaisquer, seja através da experiência ou da argumentação lógica;
2. Um pensamento de conteúdo Impenetrável e incompreensível psicologicamente para o indivíduo normal e;
3. Uma representação vivencial sem conteúdo de realidade que não se reduz à análise dos acontecimentos vivenciais.

É irremovível e inabalável porque, diante do paciente delirante não se consegue demover o conteúdo de seu pensamento mediante qualquer tipo de argumentação.

Caso o paciente se deixe convencer pela argumentação lógica razoavelmente elaborada, decididamente não estaremos diante de um delírio, mas de um engano ou de uma formação deliróide.

A argumentação racional e lógica não deve afetar a realidade de quem delira, independentemente da capacidade convincente e da perseverança daquele que se empenhar nesta tarefa infrutífera. Para ser delírio a convicção dever ser sempre inabalável e irremovível.

Alucinação
Alucinação é a percepção real de um objeto inexistente, ou seja, são percepções sem um estímulo externo. Dizemos que a percepção é real, tendo em vista a convicção inabalável que a pessoa manifesta em relação ao objeto alucinado, portanto, será real para a pessoa que está alucinando.

Sendo a percepção da alucinação de origem interna, emancipada de todas variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais (iluminação, acuidade sensorial, etc.), um objeto alucinado muitas vezes é percebido mais nitidamente que os objetos reais de fato.

Tudo que pode ser percebido pode também ser alucinado e isso ocorre, imaginativamente, com maior liberdade de associações de formas e objetos. Na alucinação, por exemplo, um leão pode aparecer de asas, ou um caracol que cavalga um ouriço. O indivíduo que alucina pode ter percebido isoladamente cada umas das formas e, mentalmente, combinado umas com as outras.

As alucinações podem manifestar-se também através de qualquer um dos cinco sentidos, sendo as mais freqüentes as auditivas e visuais. O fenômeno alucinatório tem conotação muito mais mórbida que a Ilusão, sendo normalmente associado à estados psicóticos que ultrapassam a simplicidade de um engano dos sentidos. Na Alucinação o envolvimento psíquico é muito mais contundente que nos estados necessários à Ilusão.

Psicose Esquizofrênica e Personalidade
Costuma ser unanimemente aceito na psiquiatria clínica a associação de determinadas configurações de personalidade predispostas e a eclosão de psicoses. Estas personalidades são as chamadas Personalidades Pré-mórbidas, cujo conceito é abordado neste trabalho no capítulo sobre os Transtornos da Personalidade; constituições que por si transtornam a vida do indivíduo ou incapacitam um desenvolvimento pleno, ou ainda, em certas circunstâncias, encerram uma maior aptidão para o desenvolvimento de determinadas doenças psíquicas.

A psicose é classicamente definida como a perda do contato com a realidade. Significa dizer que a avaliação, o julgamento da realidade, feito pelo paciente está prejudicado. Jaspers diz que o processo esquizofrênico se caracteriza por uma alteração na qualidade da estrutura vital básica da personalidade (em contra-posição aos conceitos de neuroses, onde haveria uma alteração da quantidade da vida psíquica), com quebra de seu desenvolvimento psicoemocional fisiológico. Trata-se de um algo novo e estranho às condições de existência e desenvolvimento da pessoa.

A psicose (esquizofrênica) é algo que se manifesta em dado instante na vida da pessoa, normalmente sem causa externa conhecida e sem que seja necessário vivências desencadeantes (embora os familiares sempre busquem associar a psicose a alguma vivência supostamente traumática).

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Diante do mito de que pessoas com esquizofrenia têm que ser internadas, obrigatoriamente, o site OpenTheDoors diz o seguinte:

"
Estudos recentes mostraram que várias alternativas, desde a assistência psiquiátrica hospitalar até alternativas inovadoras, como o programa de tratamento agudo residencial, para apoiar a convivência na sociedade, podem ser efetivas no tratamento de pessoas com esquizofrenia...

.... Em geral, quando programas de internação e programas ambulatoriais são comparados, as pessoas com programas ambulatoriais (tratadas fora o hospital) mostram resultados superiores por períodos mais longos de tempo do que pessoas hospitalizadas.

Mesmo as pessoas agudamente psicóticas podem ser tratadas efetivamente em centros comunitários equipados profissionalmente e cuidadosamente supervisionados.

Aqui estão os três componentes principais do tratamento da esquizofrenia:

1.- Medicamentos para aliviar os sintomas e prevenir recaídas;
2.- Educação para ajudar os pacientes e seus familiares a solucionar problemas, lidar com o estresse, e enfrentar a doença e suas complicações;
3.- Reabilitação social para ajudar os pacientes a se reintegrarem na comunidade recuperando sua atividade educacional ou ocupacional

As drogas usadas para tratar a esquizofrenia são denominadas drogas antipsicóticas ou neurolépticas. Há duas categorias dessas drogas: os neurolépticos mais antigos e os neurolépticos novos ou atípicos.

As drogas mais antigas (haloperidol e outras) foram introduzidas no início dos anos 50. Elas aliviam alguns sintomas positivos mas podem provocar efeitos adversos graves como rigidez muscular, tremores, movimentos de contração involuntários, visão turva e constipação. As pessoas que tomam essas drogas têm que usar uma segunda droga para controlar parcialmente os efeitos adversos. Infelizmente, a segunda droga também tem efeitos adversos.

Muitos pacientes recusam-se a tomar o medicamento ou o tomam irregularmente devido aos efeitos adversos. Outro problema é que as drogas mais antigas funcionam sobre os sintomas positivos (alucinações e delírios) mas não sobre os igualmente incapacitantes sintomas negativos (afastamento social, apatia, e emoções embotadas).

Os novos neurolépticos começaram a ser usados nos anos 90. Eles incluem a risperidona, a olanzapina e a clozapina. Essas drogas também podem provocar efeitos adversos, porém menos graves, e funcionam sobre sintomas negativos e positivos
."
veja Open the Doors

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 Segundo texto do prof. Eduardo Sörensen Ghisolfi, "o termo psicose tradicionalmente significa a perda do teste da realidade e comprometimento do funcionamento mental, manifestando-se por delírios, alucinações, confusão e comprometimento da memória. No decorrer desta segunda metade do século, dois outros significados se agregaram ao conceito original.

Na utilização psiquiátrica mais comum do termo, "psicótico" pode significar também um comprometimento grave do funcionamento social e pessoal, caracterizado por retraimento social e incapacidade para desempenhar as tarefas e papéis habituais. Outro uso do termo é, às vezes, encontrado para especificar o grau de regressão egóica como critério para uma doença psicótica.

De acordo com o glossário da Associação Norte-Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association), o termo psicótico refere-se a um amplo comprometimento do teste da realidade. Pode ser utilizado para descrever o comportamento de um indivíduo em um determinado momento, ou um transtorno mental no qual, em algum momento do seu curso, todos os indivíduos com o transtorno apresentem tal prejuízo no teste da realidade
".

De acordo com o Dicionário Médico para o Público, editado na internet pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, o prof. Hélio Elkis diz o seguinte:

Psicoses "... este conceito prevaleceu na Psiquiatria até a década de 60, em que os transtornos mentais eram distribuídos em dois grandes grupos: psicoses e neuroses. As psicoses eram consideradas doenças mentais mais graves cujas causas seriam orgânicas ou funcionais e as neuroses eram consideradas menos grave e originadas a partir de conflitos emocionais e traumas psicológicos".

Hoje conceitua-se psicose somente pelas características dos sintomas que a pessoa apresenta. Estes sintomas são os delírios, que são crenças errôneas não fundamentadas em evidências e.g. a pessoa acredita que marcianos estão vigiando seus atos e as alucinações que são percepções também não fundamentadas em evidências e. g. a pessoa acredita escutar vozes provenientes de transmissores implantados em sua cabeça. (
veja o dicionário)


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